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Gestão de clínica

A conta que a sua clínica não faz: quanto vaza entre o contato e a cadeira

De cada dez pessoas que procuram a sua clínica, quantas sentam na cadeira? Os quatro pontos onde a clínica perde dinheiro sem ver, e como medir os seus com quatro números que você já tem.

Ricardo Menezes ·  Sócio da Fan Digital ·   ·  5 min de leitura

Cadeira odontológica vazia em consultório claro, com luz natural entrando pela janela
Imagem ilustrativa.

Você sabe quanto entra e quanto sai da sua clínica. O que quase nenhuma clínica sabe é quanto vaza no meio: a pessoa que mandou mensagem no sábado e nunca foi respondida, a que foi respondida e nunca agendou, a que agendou e não apareceu, e a que já foi sua paciente e sumiu.

Esse vazamento tem tamanho e dá para medir com quatro números que você já tem. Na maioria das clínicas que a gente atende ele é maior do que o valor investido em divulgação no mesmo mês. Ou seja: antes de gastar mais para atrair gente nova, vale saber quanto da gente que já chegou está indo embora.

O buraco não está na propaganda, está no meio do caminho

Quando a agenda fica com buraco, o primeiro reflexo é achar que faltou divulgação. Às vezes é isso mesmo. Mas na maior parte das clínicas que a gente abre para olhar, o volume de contato existe. O que não existe é aproveitamento.

A diferença importa porque as duas coisas têm soluções opostas. Falta de contato se resolve com mais investimento. Falta de aproveitamento piora com mais investimento, porque você aumenta o volume que entra num funil furado e paga mais caro para perder mais gente.

Os quatro pontos onde a clínica perde sem ver

1. O contato que chega com a clínica fechada

Numa clínica que a gente opera, 40% do atendimento acontece fora do horário comercial. Noite, hora do almoço, fim de semana. É quando o paciente tem tempo de resolver a vida dele.

40%do atendimento acontece fora do horário comercial, numa clínica que operamos

Se ninguém responde nessas horas, a mensagem espera até o próximo dia útil. E a pessoa que está com dor de dente ou decidindo colocar aparelho normalmente não espera: ela manda mensagem para a próxima clínica da lista.

2. O contato que chega e não vira avaliação

Esse é o vazamento mais caro, porque é o mais silencioso. Ninguém percebe o paciente que respondeu "vou ver e te falo" e sumiu.

As referências de mercado colocam a taxa de contato que vira avaliação agendada em torno de 20%, com variação de 15% a 30% conforme quem atende. Se a sua está abaixo disso, o problema não está na divulgação. Está entre a mensagem que chegou e a resposta que saiu.

3. O agendado que não aparece

Marcar não é comparecer. As estimativas de mercado apontam cerca de 20% de falta em clínica privada. Uma em cada cinco cadeiras reservadas fica vazia, com a equipe parada esperando.

4. A base que parou de voltar

Toda clínica com alguns anos de estrada tem centenas de pessoas que já confiaram nela e não voltam há mais de um ano. Elas não estão bravas, elas só esqueceram. É o grupo mais barato de trazer de volta e o mais ignorado, porque não aparece em lugar nenhum: não tem relatório de "paciente que sumiu".

A conta, com números de uma clínica de verdade

Estes são de uma clínica odontológica, num mês de operação, sem trocar a equipe e sem aumentar o investimento em divulgação. Só colocando um atendimento que responde na hora, inclusive fora do horário.

Etapa Resultado
Pessoas que entraram em contato 144
Agendaram consulta 84 (58%)
Sentaram na cadeira 73 (87%)
Tempo médio para responder 18 segundos

Compare com a referência de mercado. Com 20% de agendamento e 20% de falta, os mesmos 144 contatos colocariam por volta de 23 pessoas na cadeira. Nessa clínica sentaram 73.

Traduzindo para dinheiro do jeito conservador: em ortodontia, o tratamento completo gira em torno de R$ 4.000, e em implante unitário perto de R$ 4.500, segundo as faixas de mercado. Nem toda avaliação vira tratamento, e a taxa real varia muito de clínica para clínica. Mas mesmo que apenas quatro em cada dez fechem, cada dez avaliações a mais no mês valem por volta de R$ 16 mil em ortodontia.

Isso é um mês, de uma clínica. Não é promessa e não é média. O que esse número prova não é que a sua clínica vai fazer 58%. É que a distância entre 20% e 58% existe, e que ela mora no atendimento, não na propaganda.

Faça a sua conta em dez minutos

Você precisa de quatro números do último mês fechado:

  1. Quantas pessoas entraram em contato, somando WhatsApp, telefone, Instagram e formulário do site.
  2. Quantas agendaram avaliação ou consulta.
  3. Quantas compareceram.
  4. Quantas fecharam tratamento, e o valor médio desse tratamento.

Com isso você tem os três percentuais que interessam: quantos dos contatos agendam, quantos dos agendados comparecem, e quantos dos que comparecem fecham. Compare com as faixas deste artigo e você vai enxergar em qual dos degraus está o seu buraco.

E se você não conseguiu levantar os quatro números, essa já é a resposta. Não dá para melhorar o que ninguém conta.

Por que quase ninguém mede isso

Não é preguiça. É que o dado está espalhado: o contato está no WhatsApp da recepção, o agendamento está na agenda, o comparecimento está na cabeça de quem atendeu e o fechamento está no orçamento assinado. Nenhum desses lugares conversa com o outro, e reconstruir isso na mão toda semana é trabalho que ninguém tem tempo de fazer.

É por isso que a gente trata marketing e atendimento como uma coisa só, no que a gente chama de Método Ciclo Fechado: enquanto o que acontece depois do contato não voltar para quem cuida da divulgação, você está decidindo onde investir com metade da informação.

Perguntas frequentes

Qual é uma taxa boa de contatos que viram consulta agendada?

As referências de mercado para clínicas ficam em torno de 20%, variando de 15% a 30%. É uma faixa ampla porque depende muito de quem atende e em quanto tempo. O número que importa é o seu, medido no seu mês.

Quantos pacientes faltam à consulta, em média?

Em clínica privada as estimativas de mercado ficam perto de 20%. Confirmação no dia anterior e lembrete no mesmo dia derrubam esse número sem custo nenhum.

Preciso de sistema para fazer essa conta?

Não para começar. Quatro números anotados num papel durante um mês já mostram onde está o buraco. Sistema serve para você não precisar contar na mão de novo no mês seguinte.

O problema da minha clínica é falta de paciente ou falta de aproveitamento?

Se você recebe contatos e a agenda continua com buraco, é aproveitamento. Investir mais em divulgação nesse cenário aumenta o volume que entra no mesmo funil furado.

Ricardo Menezes

Sócio da Fan Digital. Oito anos operando marketing e atendimento para clínicas e negócios de serviço, com mais de 80 negócios atendidos e mais de R$ 2 milhões investidos em mídia.

Quer levantar esses quatro números da sua clínica?

A gente faz a conta junto com você. Vinte minutos de conversa e você sai sabendo em qual degrau está o seu buraco, tendo ou não trabalho junto depois.

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